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    Brasileiros implantam módulo de pesquisa sustentável na Antártica

    Brasileiros implantam módulo de pesquisa sustentável na Antártica

    O sistema possui uma autonomia de até quatro dias mesmo que não haja vento ou sol para a recarga

    Inaugurado no dia 12 de janeiro, Criosfera1 é um marco para o Programa Antártico Brasileiro. Entre os objetivos do módulo estão estudar o impacto de poluentes no continente antártico, perfurar camadas de gelo em uma profundidade de até 100 metros para compreender entre 250 e 300 anos da história da composição atmosférica do planeta e avaliar como a geleira Union (local de condições climáticas raras e essenciais) se comporta diante das variações ambientais.

     

    Dentre os diferenciais do projeto, destacam-se recursos sustentáveis energéticos. Ao todo, são 4 painéis solares com 175 Watts de capacidade cada e 4 geradores eólicos de 160 Watts, que substituem o uso do combustível fóssil. O sistema alimenta um banco de baterias que possui autonomia de até quatro dias, mesmo que não haja vento ou sol para a recarga.

     

    “Nosso objetivo é entender os fenômenos locais causando o menor impacto possível”, explica Marcelo Sampaio, engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) e um dos responsáveis pela configuração do módulo. Ele também destaca o pioneirismo do projeto, presente desde a fase de planejamento.

     

    “Eu não havia encontrado qualquer referência a sistemas de pequeno porte para latitudes tão altas, por isso procurei valores estimados para os cálculos referentes à radiação solar e intensidade de vento”, diz ele.

     

    A implementação das placas e painéis durou 6 meses e seu custo estimado, entre equipamentos e mão de obra, foi de 70 mil dólares. A maior dificuldade ao longo do processo foi adquirir material de qualificação militar, que resiste a temperaturas de até 50 graus negativos.

     

    Expedição

     

    A montagem do módulo levou 1 mês. Suas dimensões são 6,30m de comprimento, 2,60m de largura, 2,5m de altura e seu peso aproximado é 3,5 mil quilos. Durante os trabalhos, estavam presentes 15 cientistas brasileiros do INPE e das universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A equipe dormiu em 4 barracas, ficou sem tomar banho e enfrentou temperaturas de até 42 graus negativos.

     

    Criosfera 1 é a primeira estação científica brasileira instalada no interior da Antártica, local que está em rápido processo de aquecimento. Ainda em fase de testes, informações metereológicas estão sendo enviadas, via satélite, ao INPE. Os resultados alcançados nesse módulo autônomo serão somados a pesquisas da Estação Antártica Brasileira de Comandante Ferraz, localizada na borda do continente.