

Num acervo que reúne milhares de histórias de vida, o Museu da Pessoa registra grandes feitos, pequenas lembranças, registros de épocas que ficaram para trás, reflexões e visões de mundo que, juntas, constituem um imenso registro das nossas vidas. Portanto, é com a sua colaboração que hoje contamos a história de Aurora Castillo Reyes.
A socióloga mexicana nascida em Macuspana é a presidente da UCIVER-Pobladores, organização que tem como objetivo melhorar o acesso à moradia em regiões carentes de Veracruz, no México. Aqui ela nos conta um pouco mais sobre as suas experiências com a instituição desde a sua fundação, 25 anos atrás.
“Nossa organização já passou por muitos processos, muitas mudanças. Ao longo dos anos descobrimos a importância de sempre ter uma proposta que envolva as pessoas, que elas se identifiquem e se apoderem.
Nós nos mantivemos e nos sustentamos apesar de muitas dificuldades. Durante muito tempo, os movimentos – social, campesino e indígena – foram criminalizados e reprimidos. Nós insistimos na luta, fomos consequentes e isso nos permitiu subsistir e estar aí até hoje.
Pensando nas experiências que tive na organização, acho que a maior conquista foi ter desenvolvido propostas que se transformaram em políticas públicas de direito à moradia. Atualmente, estamos trabalhando com o Estado e outras redes de moradia para colocar uma Política Pública de Direito à Moradia nas leis e em ações concretas.
De fato, isso é importantíssimo para nós mulheres. Digo mulheres porque agora a Direção da Organização é formada por mulheres. Isso também foi um passo, porque os movimentos sociais – pelo menos no México – eram liderados apenas por homens apesar de toda a base social ser feminina. As mulheres sempre estavam nas passeatas, nos encontros, nas invasões, mas sempre com os homens à frente. Conseguimos essa mudança, as mulheres hoje podem liderar, elaborar propostas e implementá-las.
Eu me lembro que, há 20 anos, nós falávamos: “Vamos mudar as condições de vida”, em discursos muito acalorados que não passavam de discursos de rua. Mas quando você está com as pessoas, desenhando as casas, pregando, fazendo a massa, as armações, vendo o trabalho coletivo, você diz: “Isso é um sonho que alcançamos, por isso estamos lutando, para trabalhar em conjunto, transformar as pessoas e suas condições por meio de sua participação efetiva”.
Você quer ver as grandes mudanças sociais e elas não acontecem, passam os anos, você deixa de ser jovem e as mudanças continuam sem acontecer como você queria. Mas quando fazemos coisas concretas em conjunto vemos que são as pequenas conquistas que vão mudando as pessoas e vão mudando você.”
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