

No dia 26 de setembro de 2009, Bundanoon, uma pequena cidade australiana, baniu a venda de água em garrafas – através do projeto ‘Bundy on Tap’ – dando início a uma onda de iniciativas a favor do consumo consciente de água potável. Para atender a demanda, a cidade instalou núcleos de água aonde os residentes podem encher as suas garrafas reusáveis. Desde então várias cidades e universidades na Austrália e nos Estados Unidos vem adotando medidas similares.
Tudo começou na Austrália quando a empresa engarrafadora, Norlex, decidiu explorar os recursos hídricos da localidade. A partir daí os moradores de Bundanoon decidiram se posicionar contra a venda de água em garrafas. Em 2008, australianos gastaram A$ 500.000.000 (£ 242.000.000) em água engarrafada, uma bolada para um país de pouco menos de 22 milhões de pessoas. “É uma questão moral”, disse o dono de uma lanchonete, Huw Kingston – o primeiro a sugerir a proibição. “[A venda de água em garrafas] É apenas um trabalho de marketing inteligente feito pela indústria de bebidas para vender às pessoas algo que elas podem ter de graça”. Em 2006, a indústria liberou 60.000 toneladas de gases de efeito estufa, de acordo com um estudo realizado pelo Departamento de New South Wales (NSW) do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.
Na mesma semana que a prefeitura de Bundanoon decidiu, de forma democrática, a favor da proibição, Nathan Rees, o presidente do conselho do governo estadual de NSW, baniu a venda de água engarrafada em todos os seus prédios políticos. Um ano e meio depois, em janeiro de 2011, a Universidade de Canberra – uma das maiores do país – baniu a venda de água engarrafada no seu campus. A proibição evitou a venda de aproxidamente 140.000 garrafas por ano. O Hospital Mater da Austrália também decidiu se livrar de garrafas plásticas de água em agosto de 2011. Kylee Carpenter, gerente ambiental do hospital disse ao Daily News da Austrália: “Os pacientes são dadas pelo menos duas garrafas plásticas de água todos os dias, mas agora terão de se contentar com jarras da “boa água de torneira.”
Concord, em Massechussets, foi a primeira cidade americana a banir a venda de água em garrafas em maio de 2010. Infelizmente, em fevereiro do ano seguinte, a proibição foi anulada pelos mesmos residentes que tinham votado a favor dela. O argumento que foi usado é que cada indivíduo tem o direito de escolher. Mesmo assim, outras cidades americanas têm tomado medidas para banir a venda de água em garrafa. Desde julho de 2010, São Francisco, na California, tem proposto a proibição de água engarrafada em eventos nos prédios que são propriedade municipal. Em New Haven, o banimento se estendeu a escolas e prédios do governo. Além disso, um grupo de universidades americanas, incluindo College of St. Benedict, em Minesotta, decidiu não mais comercializar água em garrafas dentro de seus campi.
O assunto está em pauta no Mundo. E em Caxambu, no Parque das Águas, visitantes podem encher as suas garrafinhas nas 12 fontes de águas minerais, gasosas e medicinais, gratuitamente. Ainda não se fala em proibição da venda de água engarrafada, mas os benefícios do livre fornecimento deste recurso vital pode ser, claramente, apreciado por aqui. E se a tendência é buscar iniciativas mais sustentáveis – mantendo o ecológico e o social em mente – quem sabe o Brasil pode ser o próximo a matar a sede sem acabar com o meio ambiente?