

Para grande parte do mundo ocidental, o Nepal ainda não é um lugar familiar. O país, situado na encosta da mais alta cordilheira do mundo – o Himalaia, no centro da Ásia – é conhecido mundialmente por suas belas paisagens e por abrigar um dos mais desafiadores montes da Terra: o Evereste.
No entanto, a realidade que ali prevalece é a de uma nação pobre, com 90% da população dependente de uma economia baseada na agricultura e turismo. Nele habitam cerca de 30 milhões de nepaleses de 12 etnias diferentes, que convivem em uma harmonia surpreendente para a falta de infraestrutura do país. Mesmo na Capital Katmandu, o pouco planejamento urbano é impactante.
Apesar de tudo isso, para muitos orientais o país é uma referência espiritual. Isso, devido em grande parte à cidade de Lumbini, localizada à oeste do país, terra natal de Sidarta Gautama – o Buda. Na década de 1950, a cidade sagrada recebeu a visita de U Thant, secretário-geral das Nações Unidas, o que foi fundamental para o renascimento da atual Lumbini, já que durante o seu primeiro mandato, Thant formou um Comitê Internacional para o desenvolvimento da cidade.
Mas foi em 1978, no Japão, que a Conferência Geral da Sociedade Mundial de Budistas, com 27 países participantes, concluiu que o local de nascimento de Buda deveria ser desenvolvido sistematicamente. Assim, a cidade que tinha caído no esquecimento, voltou a ser notícia no mundo. Kenzo Tange, famoso arquiteto japonês, foi contratado para a elaboração do Plano Mestre. A cidade hoje é dividida em três partes: o Jardim Sagrado, a Zona Monástica e a Vila Lumbini.
A Zona Monástica – a que recebe maior investimento – corresponde à área sagrada, onde apenas mosteiros podem ser construídos. Ela é dividida entre a zona oriental e a zona ocidental, com monastérios de linhas distintas do Budismo: a Leste ficam os templos do budismo Theravada e a Oeste predominam o Mahayana e Vajrayana. A região está em obras há 5 anos e espera-se que permaneça por outros cinco. É ali, que países onde o budismo é a religião predominante, tal como a China, Tailândia, Camboja, Japão e Birmânia, estão construindo templos e monastérios.
Com a construção da Zona Monástica, a cidade reconhecida como “A Luz da Ásia”, que já é o local de maior peregrinação do país, tem grandes chances de se tornar ainda mais expressiva para a economia do país.
O ex-primeiro-ministro do Nepal, Pushpa Kamal Dahal, encarregado da reforma, tem muito trabalho pela frente, até mesmo no que se diz respeito a articulação de investimentos internacionais.
É uma tarefa hercúlea de fato. Pois por um lado é preciso focar no futuro de Lumbini, mas não podemos diluir sua santidade e conceitos religiosos. Para tal, a comunidade local deve ser levada em conta, para que eles sintam que esse é um projeto deles também.
Lumbini tem o potencial de mudar a cara do Nepal, de um país pobre a uma nação próspera, inclusive financeiramente.