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    Revolução 2.0

    Revolução 2.0

    Incentivadores do Occuppy Wall Street, Democracia Real e #FreeSyria participaram de debate na 5ª Campus Party Brasil

    Por Mariana Jansen/Fotos: Andreza Tibana


    Com a Primavera Árabe, a repercussão do papel das mídias sociais em contexto de mudanças políticas e econômicas foi tamanha que três representantes dos principais movimentos revolucionários que aconteceram durante 2011 pelo mundo, compartilharam suas experiências na 5ª edição brasileira da Campus Party.

     

    Leila Nachawati luta pela quebra de silêncio midiático na Síria. Olmo Gálvez é um dos organizadores do movimento Democracia Real na Espanha e Charles Lenchner é ativista do Occuppy Wall Street em Nova York.

     

    Leila abriu a conversa mostrando o que levou os sírios a usarem as redes para se comunicar com o resto do mundo. Disse que o país não permite a entrada de jornalistas internacionais em suas fronteiras e que persegue quem luta pela liberdade de expressão. E, embora nem todos tenham acesso à internet, a maioria possui um celular. Por isso, os dispositivos móveis se tornaram a ferramenta usada pelos moradores do país para mostrar ao mundo o que acontece por lá.

     

    O aspecto democrático das novas revoluções globais foi destacado por Charles Lenchner, um dos ativistas a frente do Occuppy Wall Street. “Todos podem ser agentes livres da mudança. Quando esse grupo passa a ter um objetivo em comum, mesmo divergindo em algumas de suas opiniões – como posição partidária ou sindicalista – o poder do coletivo tem o potencial de ser maior do que o de qualquer instituição”, explica.

     

    Responsável pela organização do movimento que invadiu as ruas espanholas no dia 15 de maio, Olmo Gálvez disse sobre o que esperar para 2012. Mencionou a necessidade de consolidar o movimento, para que a sua força não morra. Gálvez afirmou que pretende tornar o 15 de maio de 2012 uma data de paralisação global pela mudança, de forma que as ações planejadas para esse dia sejam acessíveis a todos, até mesmo àqueles que estão impossibilitados de ir às ruas pelo trabalho ou outras obrigações.

    O papel das mídias sociais

     

    Para os ativistas presentes, o papel de redes como o Facebook e Twitter é essencial, na medida em que são ferramentas para a reunião de pessoas que defendem a mesma causa e também por serem de livre acesso em países em que os governos controlam a liberdade de expressão. No entanto, elas não substituem a manifestação física de pessoas nas ruas.

     

    “Dizer que as redes sociais são protagonistas dos movimentos é ofensivo para muitos ativistas, já que existem pessoas sofrendo e morrendo nas ruas pela causa que defendem”, conta Leila. “Ainda assim, são plataformas como Twitter, Youtube e Facebook que permitem com que os próprios cidadãos enviem sua mensagem ao mundo” completa a síria.

     

    Para Lenchner, a tecnologia muda as regras do jogo quando se trata de quem decide o que é notícia ou não. Ele explica que a internet, possibilitando que todos publiquem o que querem e da maneira que preferem, elimina a função do gatekeeper – exercida pela grande mídia, que decide e censura o que vai a conhecimento público.

     

    Gálvez enxerga a internet como parte da sociedade atual. “Nós moldamos as novas tecnologias e elas, por sua vez, nos moldam. A internet agora chegou a sua maturidade e se continuar aberta e democrática, nos transformará em uma sociedade livre como ela”, reflete o espanhol.

    Apoio tupiniquim ao movimento global

     

    Diante do apelo dos manifestantes espanhóis, cidadãos ao redor do globo ocuparam espaços públicos em suas cidades, no dia 15 de outubro, em prol das causas que defendem, porém debaixo do mesmo guarda-chuva de ideias da promoção de mudança global.

     

    Entre os que responderam o chamado no Brasil estava a estudante de história Amanda Monteiro, que ficou acampada durante dois meses no centro de São Paulo. Na Campus Party, ela conta sobre o intercâmbio entre manifestantes no mundo inteiro, que viajaram e visitaram os movimentos espalhados pelo globo, incluindo o Ocupa Sampa. “A internet é importante, mas a presença física daqueles que acreditam no mesmo que você, acordando todos os dias juntos, é o que faz a diferença”.

     

    O período de ocupação acabou, mas na web os manifestantes continuam a espalhar suas mensagens por mudanças e se preparam para novos movimentos nas ruas. Na internet ou fora dela, revoluções afloram e a sociedade se transforma cada vez mais aos moldes de seus próprios cidadãos.